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Crimeia: onde os impérios do XIX encontram as guerras do XXI

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11.05.2026

A história raramente se repete de forma literal, mas tende a seguir padrões reconhecíveis. A comparação entre a Guerra da Crimeia e os acontecimentos mais recentes, como a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 e a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, permite compreender não apenas continuidades estratégicas na atuação da Rússia, mas também a evolução dos sistemas internacionais em que estes conflitos se inserem.

A Guerra da Crimeia foi um dos conflitos mais marcantes do século XIX, ocorrendo entre 1853 e 1856 num contexto de rivalidade entre as grandes potências europeias. O Império Russo procurava expandir a sua influência sobre os territórios do Império Otomano e garantir acesso estratégico ao Mar Negro e ao Mediterrâneo, os chamados “mares quentes”, o que levou à intervenção de uma coligação formada pelo Reino Unido, pela França e pelo Reino da Sardenha, a pretexto da defesa dos “lugares santos”.

Assim, a disputa pelo controlo e pelos direitos sobre os locais sagrados cristãos na Palestina Otomana, sobretudo em Jerusalém e Belém, acabou por transformar-se num conflito maior amplitude dando origem a este conflito europeu.

O conflito que teve como epicentro a península da Crimeia, destacando-se nas hostilidades o cerco de Sebastopol, ficou também marcado pelo surgimento de várias inovações militares e mediáticas, sendo frequentemente considerado uma das primeiras guerras modernas.

A guerra refletiu a lógica de equilíbrio de poder que dominava o sistema internacional da época, procurando conter a expansão russa e preservar o status quo europeu estabelecido após o Congresso de........

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