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A Síndrome de Downing Street

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22.06.2026

“It's better to have them inside the tent pissing out than outside the tent pissing in.” A frase é habitualmente atribuída a Harold Wilson, primeiro-ministro do Reino Unido (1964-70 e 1974-76), e resume uma das regras mais antigas da política democrática. Os adversários são mais fáceis de gerir quando estão dentro do sistema do que quando o atacam a partir de fora. Meio século depois, porém, o problema britânico parece ser outro. Já não é apenas uma questão de quem está dentro ou fora da tenda. O problema é que ninguém parece conseguir permanecer nela tempo suficiente para governar.

Durante grande parte do século XX, Downing Street foi sinónimo de estabilidade. De Clement Attlee a Winston Churchill, de Margaret Thatcher a Tony Blair, os primeiros-ministros britânicos tinham tempo para errar, corrigir, reformar e deixar uma marca no país. Hoje, a residência oficial do primeiro-ministro parece mais um local de passagem do que um centro de poder. Os líderes chegam, sobrevivem durante algum tempo e acabam consumidos por crises, divisões internas ou mudanças de humor do eleitorado antes de conseguirem concluir o projeto político que apresentaram ao país.

Desde o último mandato de Tony Blair, praticamente nenhum primeiro-ministro conseguiu completar verdadeiramente o seu ciclo político. Gordon Brown perdeu as eleições. David Cameron caiu na sequência do referendo do ‘Brexit’. Theresa May foi destruída pelo mesmo ‘Brexit’ que prometera executar. Boris Johnson sucumbiu aos escândalos. Liz Truss protagonizou um dos governos mais curtos da história britânica. Rishi Sunak perdeu o poder. Agora, apenas dois anos depois de conquistar uma das maiores maiorias parlamentares da história recente, Keir Starmer sai após discussão séria sobre a sua sucessão, por razão da maior derrota eleitoral em eleições locais e para os parlamentares do País de Gales e da Escócia.

O fenómeno merece nome próprio. Chamo-lhe a Síndrome de Downing Street. Ao contrário do que acontece em muitas democracias parlamentares europeias, o problema britânico já não é apenas a alternância entre partidos. É a incapacidade crescente de qualquer liderança consolidar uma visão de longo prazo para o país e da efetivamente entregar. Os governos parecem viver permanentemente em gestão de crise, reagindo aos acontecimentos em vez de os moldarem.

Keir Starmer falou à porta do n.º 10 de Downing Street, onde deixará de morar até ao final do verão

Dan Kitwood/Getty........

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