Ataque ao Irão é mais um fator de instabilidade trazido por Trump
O ataque ao Irão está já a ter efeitos no preço do petróleo que, nos últimos dias subiu para valores acima dos 80 dólares, e do gás natural, cujo preço subiu mais de 30%. A manter-se ou agravar-se, se o conflito perdurar, esta subida do preço da energia poderá ser muito superior e ter efeitos na inflação e na travagem do crescimento económico em Portugal, na União Europeia, China, e nos EUA.
Mas existem pelo menos outros três efeitos que podem ser igualmente graves: um efeito negativo na confiança das economias modernas do médio oriente que diversificaram a sua atividade, pelo que esta crise pode afetar a confiança no turismo, setor financeiro e no transporte aéreo nesta região. Um efeito mundial de instabilidade e falta de confiança, que é contrário ao avanço do investimento. E um efeito nos países em desenvolvimento não produtores de petróleo, já muito afetados pelo corte dos apoios ao desenvolvimento, onde o aumento do preço da energia pode aumentar a pobreza extrema.
Os ataques começaram há três dias, mas poderão prolongar-se por mais uma, duas ou mais semanas. Para além do Irão, Israel e Líbano, há relatos de ataques em mais nove países, em particular os que têm bases militares americanas, como o Bahrein, Jordânia, Iraque, Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Síria e Omã.
Os contra-ataques fizeram soar sirenes em países como o Dubai ou o Qatar que, nas últimas décadas, fizerem um enorme esforço para se afirmar como espaços seguros para fazer negócios, turismo, compras e como centros aeroportuários, na ligação entre a Europa e a Ásia. Estes países tiveram de fechar aeroportos e cancelar milhares de voos, perante bombardeamentos que atingiram o maior aeroporto da região.
A reputação de segurança destes países está colocada em causa, com navios de cruzeiro retidos nos portos, milhares de pessoas a não conseguir ligações nos aeroportos, perante o encerramento do espaço aéreo, e misseis e drones a explodir em zonas centrais das cidades. O número de baixas e estragos é limitado, mas os danos na reputação podem perdurar no tempo.
O estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo também está encerrado. E, quando reabrir, muitas companhias de navegação vão evitar esta passagem. O domínio militar, que os EUA possam assegurar, não elemina o risco de ações pontuais. Os seguros de transporte na região já estão a disparar.
Trump propôs agora destruir a capacidade do Irão avançar nas armas nucleares, que há oito meses afirmou que já tinha obliterado. Os EUA iniciaram uma guerra com um país que, tudo indica, não oferecia um perigo imediato para a sua segurança, e com o qual estavam a negociar. A principal razão para atacar o Irão neste momento não foi porque este se apresentasse como uma ameaça, mas antes porque estava num momento de fraqueza. Em termos de direito internacional é uma posição difícil de defender. Legitimar a ideia de raptar ou eliminar líderes de países, relativamente aos quais não há uma situação de guerra declarada, é uma ideia que torna o mundo mais perigoso.
Incerteza sobre o futuro do Irão
Este ataque matou um ditador de 86 anos e dezenas de altas figuras do regime, mas é incerto se vai conseguir que o regime mude. A operação centra-se nos meios aéreos, o que limita muito as possibilidades de promover uma mudança de regime.
A notícia de que........
