O grito de cidadania
Há momentos na vida de um país em que a maior ameaça não é o erro, mas a paralisia. Não é a divergência. É a incapacidade de decidir. Não é o excesso de ambição, mas a teia de procedimentos, pareceres e diferentes rituais que transformam cada passo num labirinto sem saída.
Portugal vive demasiadas vezes nesse limbo: um país cheio de talento, energia e vontade, mas travado por mecanismos burocráticos que confundem prudência com lentidão e responsabilidade com adiamento.
O imobilismo tornou-se confortável. É fácil não decidir. Ninguém se compromete, ninguém arrisca, ninguém responde. Não há escrutínio. Os políticos teimam com discursos redondos que poucos percebem e que ainda menos conseguem apreender ou ter tempo sequer para seguir. A vida continua apesar dos políticos.
Um país que não decide é um país que se deixa levar pela corrente, que abdica de escolher o seu próprio rumo. Ao contrário do que muitos poderão pensar, a indecisão não é neutral, é regressiva. Cada........
