Prometeu e Deucalião
O tempo é de mudança acelerada, com informação abundante, instantânea e aparentemente acessível a todos. A inteligência artificial (IA) e a automação desafiam formas tradicionais de aprendizagem, redefinem profissões e questionam o valor diferencial do conhecimento especializado. Neste contexto, é legítimo questionar o papel da Universidade no século XXI e, talvez mais importante: de que forma pode continuar a transformar pessoas, cidades e territórios?
Os cinquenta anos da Universidade do Minho (UMinho) constituem uma resposta particularmente eloquente. Poucas instituições tiveram um impacto tão profundo na configuração contemporânea das respetivas cidades. A UMinho não se limitou a formar diplomados ou a produzir conhecimento científico. Ajudou a redefinir a identidade de Braga e Guimarães, alterou as suas dinâmicas económicas e criou oportunidades de desenvolvimento que projetaram o Minho muito para além dos seus limites tradicionais.
No centro desta história estão as pessoas: o conhecimento que dominam e os territórios que habitam. A representação desse poder transformador encontra-se no fogo roubado por Prometeu aos deuses. Ao desafiar a ordem estabelecida para entregar à humanidade a capacidade de criar, inventar e progredir, Prometeu tornou-se uma das mais poderosas metáforas da civilização. O seu filho, Deucalião, haveria de representar a continuidade desse legado. Sobrevivente do dilúvio, encarna a reconstrução da humanidade e a preservação da memória coletiva após a catástrofe.
Raras imagens poderiam traduzir melhor a missão universitária. Produzir conhecimento é um ato........
