O “dilema ético” dos programas de investigação televisiva
Existe um “modelo de informação” que opera à margem dos princípios deontológicos, nos horários nobres da televisão portuguesa. Um modelo em que juristas, autoproclamados investigadores e pseudojornalistas constroem narrativas sensacionalistas, que transformam meias-verdades de uma das partes em certezas absolutas e nomeiam aos olhos da opinião pública malfeitores, antes mesmo de qualquer tribunal apreciar os casos (quando existem).
O objetivo não é informar, nem fazer justiça: é fabricar audiências, custe o que custar, à custa de quem tiver a infelicidade de ser vítima da lógica implacável das audiências que tudo justifica.
O esquema é simples e muito eficaz: encontra-se um “caso” com potencial mediático, identifica-se uma vítima cuja versão seja emocionalmente apelativa e constroi-se em torno dela uma narrativa avassaladora. Não interessa verificar, confrontar ou contextualizar. O que importa é ter uma história que prenda o espectador ao ecrã durante os intervalos publicitários. A verdade, essa abstração inconveniente, pode........
