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Abstenção ou desilusão

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12.10.2026

Trinta e três milhões e meio de brasileiros estavam no colégio eleitoral na eleição de domingo e decidiram não decidir nada. É a maior abstenção de primeiro turno desde o recorde de 1998 (21,49%) e quase o alcança: 21,08% do eleitorado ficou em casa nesta eleição, contra 20,95% em 2022. O índice sobe há cinco eleições seguidas. E, como toda ausência em política, essa também fala — só que mais baixo, e é preciso prestar atenção para ouvir o que ela diz.

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Abstenção não é voto nulo nem voto em branco. Quem anula ou vota em branco comparece e é contado — apenas não escolhe ninguém. Quem se abstém nem chega à urna. No Brasil, onde o voto é obrigatório para a maior parte da população, essa ausência tem custo: multa e restrições a serviços públicos para quem não justifica. Ainda assim, ela persiste, o que sugere causas maiores que o simples "descumprimento da lei". E, quando é alta, corrói algo mais sutil que o........

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