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A soma das decisões perigosas

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Uma guerra mundial pode começar sem que ninguém a queira. Escrevo isso sem metáfora gratuita e sem gosto pelo alarmismo. Escrevo porque, ao observar os movimentos do sistema internacional nestes dias tensos de março, com a nova guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, percebo que o perigo real não está na vontade explícita de destruir, mas na sucessão de decisões calculadas que, somadas, empurram o mundo para um ponto de não retorno. 

O abismo raramente se anuncia como abismo; ele se disfarça de racionalidade estratégica.

Tenho estudado conflitos há décadas, acompanho discursos oficiais, relatórios estratégicos, declarações inflamadas e notas diplomáticas cuidadosamente redigidas. 

Em quase nenhuma delas encontro a confissão explícita de um desejo de catástrofe global. O que encontro é outra coisa: convicções rígidas, certezas morais absolutas, líderes persuadidos de que estão apenas “respondendo”, sociedades convencidas de que ainda controlam o ritmo da escalada. 

Cada gesto é apresentado como reação, nunca como passo inaugural de algo maior.

A guerra raramente nasce de um plano transparente. 

Ela se forma como uma rachadura........

© Brasil 247