O Estadão e seus simulacros e simulações da realidade
Há algo de curiosamente anacrônico - para não dizer revelador - no editorial do O Estado de S. Paulo deste sábado que se debruça, com ares de solenidade científica, sobre uma pesquisa de avaliação individual dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Ao ler a tabela meticulosamente organizada, confesso: fui transportado, sem escalas, à década de 1970.
Mais precisamente, às salas de aula da Escola Alcebíades Azeredo dos Santos, o Polivalente de Viamão, no Rio Grande do Sul, onde o professor Francisco – em suas aulas de Moral e Cívica e OSPB - nos convocava a decorar, quase em tom litúrgico, os nomes das autoridades do regime ditatorial. Havia ali um certo fetiche pela lista, pela ordem, pela hierarquia. Um país que se pretendia organizado por meio da memorização dos seus próprios símbolos de poder.
Avançamos meio século - ao menos no calendário - e eis que o “jornalão” nos oferece algo semelhante: uma........
