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Alex Merlim: «O mais difícil não foi chegar, foi perceber o jogo»

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25.04.2026

Há jogadores que se destacam pelo talento. Outros pela inteligência. E depois há aqueles raros que conseguem juntar os dois e acrescentar algo ainda mais difícil de explicar: a maturidade competitiva. Alex Merlim é um desses casos.

Aos 39 anos, o jogador do Sporting com 450 jogos oficiais de leão ao peito, continua a ser uma referência no futsal europeu. Mas a história que o trouxe até aqui está longe de ser linear. É feita de rua, de resistência, de adaptação… e de uma compreensão do jogo que foi evoluindo com o tempo. «Foi tudo muito ‘raiz’», recorda e acrescenta:

− Cresci a jogar à bola na rua com os meus amigos, muitas vezes descalço, sem regras… só pelo prazer de jogar.

É uma imagem quase nostálgica, mas também reveladora. Antes dos pavilhões, antes da tática, antes da exigência, houve liberdade. E houve também derrotas. Conta, entre risos:

− Lembro-me do meu primeiro jogo. Tinha 8 anos, jogava contra miúdos mais velhos… perdemos 11-1. Mas fiz o único golo e foi um golaço.

O resultado perdeu-se no tempo. O momento fica gravado para sempre. Foi assim que começou.

Hoje, olhando para o jogador que é, custa imaginar que nem sempre foi escolha óbvia. Admite:

− Na escola, era muitas vezes o último a ser escolhido nas aulas de Educação Física.

Um detalhe que diz muito. Não o travou. Muito pelo contrário, moldou-o:

− Isso marca, claro… mas também ensina.

E ensinou sobretudo uma coisa: persistência. Houve momentos em que desistir parecia uma possibilidade real, mas nunca foi uma opção. Desde cedo assumiu um compromisso claro consigo próprio - não abdicar do caminho, acontecesse o que acontecesse.

Muito novo começou a jogar com seniores. E aí o jogo mudou por completo. Diz sem rodeios:

− Levei muito ‘pau’. Jogadores mais fortes, mais experientes… obrigaram-me a crescer........

© A Bola