Ceuta e a hora das decisões soberanas da Europa
Na última semana de julho, cerca de 60 mil pessoas atravessaram, por mar e por terra, a fronteira entre Marrocos e Ceuta, na maior entrada irregular alguma vez registada num só dia em território da União Europeia. Morreram mais de uma centena de seres humanos e a maioria dos que entraram já regressou.
Este incidente em Ceuta foi mais um teste de stress à fronteira externa da União, ao recém-estreado Pacto de Migração e Asilo e à própria coesão do espaço Schengen. E o resultado deste teste foi um falhanço coletivo, no quadro da União Europeia, e individual, no que respeita às ações da Espanha e das reações de alguns Estados-membros.
Para enquadrar esta análise, importa reconhecer a dimensão humanitária desta tragédia, que constitui mais uma lição amarga de que a regulação dos fluxos migratórios se deve fazer de modo humano e digno, com integração plena de quem nos procura para trabalhar. Mas a compaixão não dispensa a lucidez. E a lucidez obriga-nos a dizer algumas verdades........
