Os empatas, os lambe-botas e os fazedores: o caso Luís Neves
Há três espécies: os fazedores, que são poucos e caros de encontrar; os empatas, que fazem carreira a travar quem faz; e os lambe‑botas, que não fazem nem travam — limitam-se a orbitar no poder, a aplaudir quem manda e a afiar a faca quando o vento muda ou quando a inveja e o ego não reconhecido geram ódios, raivas e vinganças.
Luís Neves pertence à primeira espécie: a dos fazedores. E é precisamente por isso que está a ser devorado pelas outras duas. Trinta anos de serviço não se apagam em três semanas.
Antes de discutirmos o caso, importa recordar quem é o homem. Luís Neves tem décadas de Polícia Judiciária, sempre na linha da frente: o desmantelamento de células da ETA em Portugal, o combate ao terrorismo, ao crime violento e organizado, e a captura de João Rendeiro na África do Sul, quando tantos garantiam que nunca seria encontrado. Foi diretor nacional reconduzido três vezes — por governos de cores diferentes — porque o mérito, ao contrário da conveniência, não tem cartão partidário. Quando foi nomeado ministro, até a oposição à esquerda elogiou a escolha.
Quem trabalhou com ele descreve-o como incansável, determinado e incapaz de deixar alguém desistir de provar um crime. Conheci Luís Neves na Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados, onde testemunhei um diretor sempre disponível a........
