As empresas não falham na escolha da IA (falham muito antes)
Há uma tendência para tratar a Inteligência Artificial (IA) como uma exceção. Como se a sua integração nas empresas exigisse regras completamente novas. Na verdade, continua a ser preciso perceber o desafio, definir objetivos, preparar as equipas, testar, medir e ajustar. O problema é que, muitas vezes, se saltam quase todos estes passos.
O erro mais comum que observo é a pressa. Muitas empresas querem integrar IA para dizer que o fizeram, antes de saberem como e para quê. Pedem às equipas que comecem a utilizar estas ferramentas, assumindo que a curiosidade e a autoaprendizagem serão suficientes. Raramente são. Estamos a pedir a pessoas com diferentes níveis de familiaridade tecnológica que mudem significativamente a forma como trabalham. Em alguns casos, sem contexto, sem formação e sem tempo para experimentar. Quando os resultados não aparecem, a culpa acaba muitas vezes por recair sobre as equipas. Mas o problema começou muito antes.
Há quem assuma que o primeiro desafio é técnico: as pessoas não sabem utilizar a ferramenta. Na minha experiência, o verdadeiro desafio é fazer com que as pessoas lhe vejam valor. Ninguém muda a forma como trabalha apenas porque alguém decidiu que chegou o momento de o fazer. E nenhuma estratégia elimina, por si só, a reação mais humana e natural à mudança: o medo. Quando ouvem que a IA consegue fazer tarefas até agora exclusivamente humanas, é inevitável que algumas pessoas questionem o........
