menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Insistimos em preparar jovens para um tempo que não existe

21 4
12.02.2026

Nos últimos 50 anos, o sistema educativo português sofreu profundas alterações e conheceu várias melhorias relevantes. No entanto, com raras exceções, o sistema ainda assenta, naquilo que é mais substantivo, numa matriz educativa herdada das Primeira e Segunda Revoluções Industriais, como se pouco tivesse mudado. Continuamos com umas dezenas de jovens da mesma idade, sentados por

ordem alfabética numa sala retangular, em filas, virados para um quadro ou ecrã, para aprenderem as mesmas coisas, da mesma forma, com o mesmo grau de profundidade e ao mesmo ritmo. “Entregues” a um professor e a um manual didático, muitas vezes são estes os únicos veículos do conhecimento na sala de aula, apesar da abundância de processos e ferramentas pedagógicas hoje disponíveis.

Persistimos numa visão do sistema educativo como uma “indústria da educação”, excessivamente baseada numa lógica de ensino em série, num tempo de crescente diversidade social e económica. Mesmo com alguma variedade na oferta educativa — insuficiente, mal pensada e caoticamente distribuída —, continuamos presos a um modelo que privilegia a conformidade e a normalização, em detrimento de uma formação personalizada e orientada para o desenvolvimento das “forças” específicas de cada jovem. E, para além do conhecimento e do saber-fazer, a criatividade e a diversidade de perspetivas serão fundamentais para o desenvolvimento social e........

© Observador