Portugal celebra-se no dia em que morreu Camões
Portugal é um país estranho. E, por isso mesmo, interessante.
Tem várias datas possíveis para celebrar o seu nascimento. Podia celebrar 1128, com São Mamede, quando Afonso Henriques se impôs politicamente. Podia celebrar 1139, com Ourique, quando a tradição o vê como rei. Podia celebrar 1140, quando já aparece a usar o título régio. Podia celebrar 1143, com Zamora — não necessariamente como tratado assinado, limpo e arrumado em pergaminho, mas como encontro político, pacto, reconhecimento, palavra diplomática entre poderes. Podia ainda celebrar 1179, quando a bula Manifestis Probatum confirmou, pela autoridade pontifícia, o reino e o rei.
Ou seja: Portugal não nasceu num dia. Portugal foi acontecendo.
Nasceu na guerra, na política, na diplomacia, na teimosia e na espera. Primeiro foi vontade. Depois foi facto. Depois foi reconhecimento. Depois foi legitimação.
Mas nenhuma dessas datas é hoje o grande dia nacional.
O dia que ficou foi outro: 10 de Junho.
E o 10 de Junho não é o dia de uma batalha fundadora. Não........
