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Um país que enriquece e que se esvazia

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04.03.2026

Em 1970, o Censo a população surpreendeu Portugal: apenas 8,6 milhões de residentes, menos do que o esperado. A surpresa era, afinal, uma evidência - o país esvaziava-se. Nesse ano saíram de Portugal, pelo menos, mais de 180 mil portugueses. Fugiam da pobreza, da Guerra Colonial, do regime. A emigração era, na leitura da época, um sinal de atraso, parecia assumir números impressionantes e definir a identidade do país, do que ia e do que ficava.

Cinquenta anos depois, em 2020, as Nações Unidas estimaram em cerca de 2,1 milhões as pessoas nascidas em Portugal a viver no estrangeiro - aproximadamente 21% da população residente. Em 1970, essa proporção rondava os 9 a 10%. O país enriqueceu, integrou-se no espaço europeu, democratizou-se, urbanizou-se, alfabetizou-se e... esvaziou-se ainda mais.

Como se explica esta aparente contradição?

Uma parte da resposta está nos incentivos que a própria democracia e a integração europeia criaram. Sair de Portugal, circular pelo mundo e poder residir legalmente noutro Estado tornou-se muito mais fácil e mais barato. Portugal entrou na CEE em 1986 com um salário mínimo de pouco mais de 22 mil escudos -........

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