Autocuidado: uma oportunidade que Portugal não pode desperdiçar
Num tempo em que tanto se fala da sustentabilidade dos sistemas de saúde, da pressão sobre os serviços de urgência e das dificuldades de acesso aos cuidados de saúde, há um tema que deve ocupar um lugar central no debate público: o autocuidado.
Quando falamos de saúde, pensamos frequentemente em hospitais, consultas e tratamentos. Porém, uma parte significativa dos ganhos em saúde constrói-se todos os dias, através das escolhas que cada um faz antes de precisar de recorrer aos cuidados de saúde.
É precisamente nesse espaço que o autocuidado assume uma relevância cada vez maior.
O estudo “O Papel do Autocuidado em Portugal”, apresentado em maio pela APIFARMA, demonstra que o autocuidado não é um conceito abstrato, mas uma realidade concreta na vida dos portugueses. Mais de metade das situações de saúde ligeiras são já geridas através do autocuidado e, em 79% dos casos, essa opção resolve completamente o problema, sem necessidade de recurso posterior ao médico.
Os números são esclarecedores. Em Portugal, 92% das pessoas enfrentaram pelo menos um problema de saúde ligeiro no último ano, desde constipações e dores de cabeça a irritações da garganta ou pequenas dores musculares. Em média, cada cidadão viveu 4,2 episódios deste tipo. Perante estas situações, mais de metade dos portugueses........
