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Militares para quê?

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Até aos anos 90, a Força Aérea combatia incêndios florestais. Sucessivas mudanças de governos e de estratégias para este setor fizeram com que se seguissem quase quatro décadas de decisões contraditórias e muitos milhões desperdiçados. Em 2007, perante uma fatura cada vez mais elevada no aluguer de aeronaves de combate, o Governo criou a Empresa de Meios Aéreos e apostou numa frota própria que tropeçou rapidamente nos seus próprios obstáculos, desde acidentes a problemas na certificação de aeronaves. A empresa acabaria extinta em 2014, coexistindo com o debate permanente sobre o recurso a meios existentes (e parados) na Força Aérea, dos velhinhos Puma aos C130. As mil e uma polémicas e perguntas da Oposição esbarraram sempre em argumentos como a falta de pilotos e, embora retomando a gestão dos concursos em 2018, as Forças Armadas continuaram afastadas do combate, operando apenas aeronaves de vigilância e prevenção.

Qual a importância de recordar o processo, numa altura em que estão treinadas equipas, foram adquiridos helicópteros e a Força Aérea parece estar pronta a reentrar no combate direto? Por um lado, para que se perceba o quanto poderíamos ter poupado tempo e dinheiro, se houvesse mais visão estratégica e menos ziguezagues nas opções políticas. Por outro lado, o combate por meios aéreos é apenas uma parte do quanto pode ser melhorado na integração efetiva dos militares na Proteção Civil. Todos percebemos, nas tempestades do início deste ano, o quanto as Forças Armadas estão fora do sistema, por muito que teoricamente a lei e os órgãos alargados as incluam. Estando prometida pelo Governo uma reforma da Proteção Civil após o verão, é tempo de esta integração ser conseguida por completo. Quando tanto se fala em investir em Defesa, eis um investimento que vale a pena.


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