Não se deixem embalar pelo título e enganar pelo ruído. Isto é mais ou menos como o espelho da Rainha Má na história da Branca de Neve: o Chega tem reaccionários nas suas fileiras, minha rainha, mas o partido mais reaccionário do país é o PS.

Simplifiquemos muito as coisas: um reaccionário é, basicamente, alguém que está sempre a falar do passado, que despreza a mudança e que é “do contra”. Ora, os reaccionários do Chega têm saudades do Salazar e são contra o regime, é certo; mas os reaccionários do PS têm saudades do Sócrates e do Costa, desprezam quem mais ajudou a mudar o país para melhor e, depois de 8 anos do governo mais incompetente de que há memória na história do pós-PREC, de que Costa e Pedro Nuno Santos são os rostos n.⁰1 e n.⁰ 2, continuam a fazer uma campanha contra o Passos, contra o Cavaco, contra a extrema-direita, contra os moinhos de vento, contra o Saci Pererê e contra todos os gambuzinos. Ideias de mudança? Zero! Melhoria do país? Abaixo de zero! Só medos agitados, para sequestro dos assustados.

Querem coisa mais reaccionária do que o medo como motor e a mentira como combustível? Estes 8 anos (já para não falar nos 22 dos últimos 28, com uma bancarrota pelo caminho), e continuam a contar, têm revelado o partido mais surpreendentemente reaccionário do país: um partido que, podendo ser Governo, preferiu ser oposição à oposição e ao Governo que o antecedeu. Eis o PS em toda a sua decadência. E, nisto, cumprindo a voz do dono, comentadores e “jornalistas” agitam falácias que Luís Montenegro nunca subscreveu, como se fossem certezas inexoráveis, sem que, a Pedro Nuno Santos, pronto a cair nos braços de Mortágua e Raimundo, alguma vez tenham perguntado se Portugal sairá da NATO ou da UE, como os seus aliados extremistas defendem.

Mas vamos por partes. Portugal é governado há 8 anos pelo Partido Socialista, parte deles com o apoio da extrema-esquerda. Nestes anos, o SNS colapsou, a escola pública definhou, os rendimentos das famílias (em comparação com os restantes países europeus) minguaram, o número de pobres (ou em risco disso) aumentou, a aquisição de casa própria ficou mais difícil, os jovens qualificados fugiram do país, a sociedade portuguesa ficou mais envelhecida e os sonhos esfumaram-se.

Falava há pouco em sequestro dos assustados. Podemos, claro, continuar assim: os pensionistas acham que o que há e que o que têm, sendo pouco, lhes vai servindo para o tempo que lhes resta; e os funcionários públicos, trabalhando numa máquina disfuncional mas que paga a horas, menorizam o impacte das chefias incompetentes na sua vida, aproveitam o teletrabalho e esperam a semana de 4 dias. Quem os pode censurar? No fundo, são uma espécie muito típica de portugueses: aspiram a viver a vidinha à sua maneira, adaptando-se à inoperância e incompetência do chefe socialista, crentes nos e tementes dos medos agitados. Quem nunca?

Mas o país não tem que ser só isto. E, ao longo da sua história, outro tipo de portugalidade se expressou. Quando, em 1979, a primeira AD foi formada, o seu objectivo foi o de libertar a sociedade portuguesa da opressão revolucionária. Hoje, a nova AD visa libertar a sociedade portuguesa da opressão reaccionária.

Só a AD, atacada por todos os lados, à esquerda e à direita, apresentou, naquela que terá sido uma das mais indigentes campanhas da história recente, um cenário macroeconómico realista e um programa responsavelmente reformista. Neste cenário, porém, e considerando o número de indecisos, talvez seja conveniente à AD, duas coisas: gelo nos pulsos e assegurar que só Luís Montenegro fala em seu nome. O país é o que é: quando a temperatura aumenta, o tuga olha à volta à procura do chefe. Esta é a última oportunidade de Montenegro se afirmar, mais do que como chefe, como líder; é bom que não a desperdice no meio de distracções por si não criadas.

E, por falar em indecisos e olhando para as sondagens, daqui a uma semana, há o risco de estarmos aqui a fazer contas sobre equilíbrios políticos, geometrias parlamentares, cenários governativos e durabilidade da legislatura. Só o voto na AD representa um caminho de mudança, de governo e derroga todos os reacionários, revolucionários e populistas. Mas, claro, ao “paz, pão, povo e liberdade”, o país pode preferir o circo. Daqui a uma semana se verá; mas, hoje, o país ainda vai a tempo.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

QOSHE - O único voto útil para mudar e para vencer os reaccionários é na AD - Pedro Gomes Sanches
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O único voto útil para mudar e para vencer os reaccionários é na AD

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04.03.2024

Não se deixem embalar pelo título e enganar pelo ruído. Isto é mais ou menos como o espelho da Rainha Má na história da Branca de Neve: o Chega tem reaccionários nas suas fileiras, minha rainha, mas o partido mais reaccionário do país é o PS.

Simplifiquemos muito as coisas: um reaccionário é, basicamente, alguém que está sempre a falar do passado, que despreza a mudança e que é “do contra”. Ora, os reaccionários do Chega têm saudades do Salazar e são contra o regime, é certo; mas os reaccionários do PS têm saudades do Sócrates e do Costa, desprezam quem mais ajudou a mudar o país para melhor e, depois de 8 anos do governo mais incompetente de que há memória na história do pós-PREC, de que Costa e Pedro Nuno Santos são os rostos n.⁰1 e n.⁰ 2, continuam a fazer uma campanha contra o Passos, contra o Cavaco, contra a extrema-direita, contra os moinhos de vento, contra o Saci Pererê e contra todos os gambuzinos. Ideias de mudança? Zero! Melhoria do país? Abaixo de zero! Só medos agitados, para sequestro dos assustados.

Querem coisa mais reaccionária do que o medo como motor e........

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