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Brísida Vaz e Passos Coelho: dois casos de virgos postiços

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28.05.2026

Ao ler as notícias sobre a última aparição de Pedro Passos Coelho, lembrei-me do “Auto da Barca do Inferno” e da personagem de Brísida Vaz. Apresentava-se como virtuosa e disse que sempre “serviu senhores”, ao que o Anjo lhe respondeu “Serviste maus servidores”. Ao Diabo elencou os seus feitos, entre os quais se contavam “seiscentos virgos postiços e três arcas de feitiços que não podem mais levar”.

Virtuoso como Brísida, Passos Coelho comenta os “políticos postiços” que são “prostitutos sem caráter” numa aparente crítica ao populismo. Quem o comenta especula se, nesta sua intervenção, se dirigia ao discípulo dileto na audiência ou ao atual primeiro-ministro. Hábil na sua arca de feitiços, foi suficientemente ambíguo para, qual Brísida Vaz, tentar ludibriar o Anjo e tourear o Diabo, querendo as graças daquele, mas não deixando de se dar bem com este.

Em tese, o que Pedro Passos Coelho disse está certíssimo. Se se dirigia ao ex-candidato à Câmara de Loures André Ventura, que não deixou de apadrinhar quando iniciou os seus discursos contra a comunidade cigana (que saudades de um CDS que não hesitou em lhe retirar o apoio, quando os atuais líderes ainda não se tinham radicalizado), foi acertado. Porque catalogou o populismo como aquilo que é: perigoso, porque divisivo, porque simplista, porque enganador. Se se dirigia a Luís Montenegro, também está mais do que certo. Porque os sinais de........

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