Quando a violência política já não precisa de líderes
Durante décadas, combater a violência política significava encontrar quem dava as ordens.
Quando ocorria um atentado, uma campanha de intimidação ou um acto de violência política, as autoridades procuravam organizações, dirigentes, financiadores e cadeias de comando. A lógica era simples: se existe uma estrutura, existe alguém que a dirige.
Mas o século XXI começou a alterar esta realidade.
As organizações não desapareceram. Continuam a existir grupos extremistas, movimentos radicalizados e redes violentas. Contudo, uma parte crescente da violência política contemporânea já não depende exclusivamente de estruturas hierarquizadas ou de ordens directas.
Depende de algo mais difuso: ambientes.
A expansão da internet e das redes sociais transformou profundamente os mecanismos de mobilização política e radicalização. Contudo, os fenómenos que observamos não são inteiramente novos. Muito antes da internet, Gustave Le Bon observava já que os indivíduos, inseridos numa multidão, tendiam a adoptar comportamentos e emoções que dificilmente manifestariam isoladamente. O........
