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Fisioterapia no SNS: a burocracia adoece mais do que trata

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30.05.2026

O Sistema Nacional de Saúde continua a tratar a fisioterapia como um luxo  administrativo, e não como um cuidado essencial. Para chegar a um fisioterapeuta no  SNS, um utente precisa, no mínimo, de duas consultas médicas obrigatórias — primeiro  o médico de família, depois o fisiatra — antes sequer de iniciar tratamento. Este percurso,  que muitos consideram apenas um detalhe burocrático, tem consequências reais: meses  de espera, custos duplicados e agravamento clínico evitável.

Um estudo exploratório que desenvolvi recentemente revela um padrão preocupante: a  prescrição médica não reflete a necessidade clínica dos utentes. Pelo contrário, mostra  uma uniformização artificial que nada tem de científica. Como se lê no documento, “a  prescrição revelou-se altamente concentrada: o código 60377 foi utilizado em 100% dos  casos”, independentemente da idade, diagnóstico ou gravidade.

Isto significa que pessoas com lesões músculo-esqueléticas, neurológicas ou  cardiorrespiratórias recebem praticamente os mesmos códigos. Não porque isso faça  sentido clinicamente, mas porque o sistema está desenhado para funcionar assim. A  prescrição médica tornou-se um ritual administrativo, não um instrumento de decisão  terapêutica.

A burocracia custa caro — e não só em dinheiro

O SNS gasta anualmente quase 180 milhões de euros em convenções de MFR. Mas o que  este estudo mostra é que grande parte desse investimento é canalizado para atos  padronizados e de maior valor económico, mesmo quando não são os mais adequados.  Ou seja: o sistema paga mais, sem tratar melhor. E paga duas vezes: Consulta de médico  de família para emissão do P1,........

© Observador