A arte de escrever para não morrer
Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de "A Invenção de uma Bela Velhice"
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Estou preparando uma palestra sobre finitude, envelhecimento e legado. Logo no início, cito um trecho de "Despedida", última crônica de Rubem Alves para a Folha (1º de novembro de 2011).
"Essa crônica é uma despedida. Resolvi, por decisão própria, parar de escrever... Devo ter perdido o juízo... Fernando Pessoa tem um poema que diz assim: ‘Tenho dó das estrelas luzindo há tanto tempo, tenho dó delas...’ E ele se pergunta se ‘não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas...’ Respondo: Sim. Há um cansaço. A velhice é o tempo do cansaço de todas as coisas. Estou velho. Estou cansado. Já escrevi muito. Mas, agora, meus 78 anos estão pesando. E como acontece com as estrelas, há sempre a obrigação de brilhar. A obrigação: é isso o que pesa".
Por que meu mestre de "escutatória", que me ensinou a "arte de escutar bonito", ficou cansado de escrever?
"Perco o sono atormentado por........
