A inteligência artificial é mesmo muito inteligente
Foda-se, disse o furriel que limpava as botas com os dedos, Pois é, disse eu, e acho que até hoje nunca tive um diálogo tão comprido com quem quer que fosse». António Lobo Antunes, Os Cus de Judas.
Já explicarei a que propósito vem aqui uma das melhores frases de Lobo Antunes que conheço. Comecemos pelo princípio: fui a um laboratório de análises fazer as ditas. Fez-se o registo, paguei, fizeram-se as recolhas, e fui à minha vida. Muito pouco tempo depois recebi uma mensagem no telemóvel que dizia qualquer coisa como isto: «Fez as suas análises no lugar tal, os resultados ser-lhe-ão enviados até dia tantos, para o email xis». Mas o endereço de email estava errado na mensagem, faltava uma letra. Ora, como eu, entre outros males, sofro de organização e de hipocondria, decidi logo resolver o assunto, com a mesma urgência com que o Pacheco pedia uma de vintes a meio mundo. De imediato, liguei para o laboratório para corrigir o endereço. O telefone toca, uma, duas, três vezes, e atende uma senhora artificial (dita ‘assistente virtual’), que de imediato começa com a lengalenga do «ligou para o laboratório tal, para português marque 1, for english press 2», e assim por diante; o que é uma coisa que me começa logo........
