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A vida generosa e não apenas cruel

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21.09.2026

Imaginem o que seria acordar num jardim onde os ramos cantam e os pássaros, agora sisudos, ficam imóveis e agitam as penas ao vento. Tenho uma árvore à janela onde escrevo, ou melhor, talvez seja mais justo dizer que aqui vive uma árvore, um limoeiro, e vou acompanhando o passar do tempo, o nascer verde da fruta até ao amarelo, o amadurecer no pátio, as estações que nascem e morrem e depois renascem todos os anos, sempre as mesmas e sempre diferentes, e é estranho como, para muitos, a certa altura da vida, a chegada das estações deixa de os comover, é apenas mais um Outono que chega e a chatice da chuva, queixam-se do frio ou do calor, como se estar vivo fosse uma sucessão de inconvenientes meteorológicos, e esquecem-se de sentir o privilégio de estar vivos, mesmo com falta de dinheiro, mesmo........

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