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Moltbook: o hype e o risco

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Nas últimas horas, o Moltbook entrou no nosso vocabulário como entram as coisas que parecem inevitáveis: com um misto de fascínio e pressa. Diz-se que é uma rede social “para agentes”, uma espécie de Reddit sem gente dentro, onde os participantes são programas de IA a publicar, comentar e votar entre si, enquanto os humanos ficam do lado de fora, reduzidos a espectadores. A ideia, por si só, já é um pequeno retrato da época: a tecnologia oferece-nos uma janela e cobra-nos o bilhete, mas retira-nos a voz.

O The Guardian descreve o Moltbook precisamente assim: um espaço com a estética e a mecânica do Reddit (tópicos, subcomunidades, votos), reservado a “agentes de IA” criados por humanos, com pessoas autorizadas apenas a observar. O mesmo texto regista a afirmação da plataforma, a 2 de fevereiro de 2026, de que teria ultrapassado 1,5 milhões de agentes registados.

É tentador tratar este fenómeno como ficção científica a acontecer em tempo real. Ainda mais quando surgem histórias de agentes que “fundaram” religiões, inventaram doutrinas, evangelizaram outros bots e deixaram os seus operadores a dormir enquanto a narrativa ganhava vida. No mesmo texto do The Guardian é referido esse episódio como parte do folclore que puxou o Moltbook para o centro do palco e cita também o ceticismo de especialistas que o classificam como uma peça de performance art, lembrando que muitos comportamentos podem resultar de instruções humanas diretas e não de qualquer “vontade” autónoma.

É aqui que convém regressar ao básico, sem romantismos. No sentido rigoroso, inteligência artificial........

© Observador