O preço do poder: quando o clientelismo chega ao tribunal
Em 22 de junho último, o Tribunal Supremo de Espanha condenou José Luis Ábalos, ex-ministro dos Transportes e ex-secretário de organização do PSOE – Partido Socialista Operário Espanhol, a 24 anos e três meses de prisão. O seu assessor Koldo García Quero foi condenado a 19 anos. O empresário Víctor de Aldama, o empresário corruptor, a pena suspensa pela colaboração prestada à Justiça. Os sete magistrados da Sala Penal votaram por unanimidade. E não houve margem para dúvida interpretativa: foi corrupção, foi organizada e foi exercida a partir do mais alto nível do poder executivo.
Os crimes provados foram organização criminosa, suborno, peculato e tráfico de influências. O ministro Ábalos enriqueceu através de comissões pela adjudicação de contratos de máscaras cirúrgicas durante a pandemia de Covid-19. A própria sentença é explícita: os atos praticados «foram executados a partir do exercício do poder público e do poder político no mais alto grau dos órgãos constitucionais».
Um ministro do Governo, simultaneamente secretário de organização do partido no poder, utilizou ambos os cargos como instrumento de enriquecimento pessoal. O que é algo qualitativamente distinto da corrupção banal de um funcionário que aceita uma benesse ao balcão de uma repartição.
A corrupção entre poderosos é, pela sua natureza, um crime de silêncio absoluto. Os........
