Song Sung Blue
Por precaução, já o tinha engatilhado: se o jogo me estivesse a incomodar, como veio a verificar-se, iria ao cinema. Quando o Vitória falha, entra o melhor cineclube do Mundo: o de Guimarães. O início do filme foi milhões de vezes mais interessante do que a patética entrada da minha equipa. O mundo dos imitadores de outros músicos - uma faceta do filme que me prendeu logo - tem nos Estados Unidos um mercado próprio, em feiras, em pequenos bares, restaurantes e casinos. Buddy Holly, Patsy Cline, Elvis Presley, desfilam, neste filme, aos nossos olhos, pela arte de outros. Muitos desses artistas (que imitam os seus ídolos) são músicos de excelência. Assim aconteceu com Charles Bradley, do qual vi, em 2015, um inesquecível concerto em Coura, ele que passou a maior parte da sua vida imitando James Brown. Libertou-se ainda a tempo de nos mostrar o soberbo cantor que era, naquele concerto memorável. Morreu em 2017.
O filme baseia-se numa história real: um casal de imitadores (com muito drama à mistura) faz, através da sua arte, um tributo a Neil Diamond. São Relâmpago (Hugh Jackman) e Trovão (a simpática Kate Hudson, nomeada para óscar por este papel). O filme vê-se muito bem, apesar da vida, nele retratada, trazer, tantas vezes, desagradáveis surpresas. Há dor e redenção. Esta dupla real de músicos chegou mesmo, em 1995, a abrir, surpreendentemente, para os Pearl Jam: um dos momentos altos e curiosos do filme! Neil Diamond está, hoje, ainda vivo! A minha equipa não. Há lá alguns jogadores parecidos com os antigos, na cara e no nome. Mas são, apenas, imitadores dos reais. E para o fraco.
