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TAP e uma privatização para levar a sério

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O processo de privatização da TAP deu mais um passo em frente, com a confirmação da Lufthansa e da Air France-KLM como as concorrentes mais sólidas ao formato seguido pelo Governo. Isto é, a abertura de capital a privados e não o controlo maioritário da companhia.

Essa condicionante, de acordo com a informação que circulou nos dias próximos à entrega das propostas, foi decisiva para que a IAG se afastasse da corrida. A dona da British Airways e da Iberia estaria determinada a assumir uma posição maioritária, que não só não viu ser-lhe garantida no imediato como provavelmente entendeu não estarem reunidas condições para a assegurar no futuro mais próximo.

Em tese, a desistência da IAG pode representar alguma proteção adicional ao modelo previsto no caderno de encargos da privatização. Não só porque reforça a posição estratégica do hub de Lisboa - afastando, assim, a "sombra" de Madrid - como assegura, ao mesmo tempo, a continuidade da aposta nas operações de manutenção, engenharia e produção industrial que estão planeadas para o futuro da TAP, com destaque para o polo previsto para o Aeroporto do Porto.

Por outro lado, e como não há bela sem senão, a IAG vai exercer maior pressão concorrencial sobre os aeroportos e o hub português, designadamente nas rotas intercontinentais onde a TAP é mais forte. E vai fazê-lo, como alertaram por estes dias alguns especialistas do setor, com a vantagem de ter acedido a dados operacionais críticos da companhia aérea portuguesa, como os custos e as rentabilidades de cada voo realizado.

Apesar dos riscos e das ameaças inerentes a qualquer negócio, ter dois grupos de referência internacional a quererem entrar no capital da TAP não pode ser visto como um aspeto negativo. Pelo contrário, reforça a confiança de que esta privatização está a ser levada a sério e que a operadora nacional dispõe de resultados e ativos relevantes para os investidores. Além disso, quer um, quer outro concorrente oferecem garantias de credibilidade, robustez e escala internacional suficientes a uma empresa que, ao longo de décadas, foi um poço de problemas para o nosso país.

Ao Governo compete, agora, manter o rumo firme que traçou desde o início deste processo. Discordando da opção de manter a maioria de capital no Estado, reconheço que, no atual contexto, o mais importante é avançar sem grandes hesitações. Há ainda um longo caminho burocrático pela frente e a TAP já custou demasiado tempo e dinheiro aos portugueses.


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