Atenas
Quase ninguém defende o centralismo, mas alguns acreditam que a concentração favorece o desenvolvimento. Como explicarão eles que a Grécia, que aglomera um terço da população do país em Atenas, esteja atrás de Portugal em PIB/capita e muito longe de países com várias cidades de grande e média dimensão, como Alemanha, Suíça ou Suécia?
Fala-se na construção de 6 Expos no "arco ribeirinho de Lisboa", pontes no vale do Tejo com quilómetros de extensão e um dos maiores aeroportos do mundo, num lugar ambientalmente desastroso pelos milhares de sobreiros a sacrificar e pelo nível freático do lugar, como as recentes cheias mostraram.
Quem chama à razão o centralismo que concentra quase tudo em torno da capital, sempre a prometer que daí irradiará desenvolvimento para todos, quando o PIB/capita na Grande Lisboa é 58% superior à média nacional e o de Tâmega e Sousa é metade daquele? Ninguém! Até porque a Associação Comercial do Porto perdeu a voz que teve e, quanto à AMP, o seu presidente (e da Câmara do Porto) diz-nos que ela é uma ficção. Porque aceitou então presidir-lhe? E porque não promove o que a legislação exige à AMP em matéria de planeamento? E, enquanto tenta convencer o PSD da necessidade de regiões, não sabe ele que as câmaras podem reforçar o corpo técnico e orçamento da AMP,construir e concretizar projetos intermunicipais e usá-la como palco de reivindicação, como Fernando Gomes fez com grande sucesso nos anos 90, ao lado de Vieira de Carvalho e Narciso Miranda?
