menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O eurocentrismo da guerra

7 0
saturday

Lembro-me do dia em que aprendi sobre as guerras mundiais na primária, evidentemente de forma muito superficial, como não podia deixar de ser, pois as crianças representam o futuro da nossa espécie e são ainda muito inocentes para processar informações complexas. Arrisco-me a dizer que o passar dos anos não nos tem ajudado a fazer este processamento. Continuamos, de alguma forma, presos às versões que saltavam ao elástico no intervalo ou trocavam cromos, mas hoje trocamos bitaites e saltamos de um vídeo desinformativo para outro.

Nas redes sociais fala-se da iminência da terceira guerra mundial, do seu começo, e da nossa desgraça. Contudo, ainda que reconheça as minhas tendências pessimistas, vale salientar que um conflito regional se trata apenas disso.

Surge então um segundo ponto: a nossa ignorância eurocêntrica. Porque é que as guerras mundiais têm de ser todas lutadas na Europa?

É irrefutável que as anteriores disputas foram defrontadas em território europeu, mas numa era tecnológica, ataques de elevado alcance podem ser executados à distância. Torna-se desnecessário seguir estratégias de ataque antiquadas, que assumam a totalidade do plano ofensivo. As guerras modernas envolvem o lançamento de mísseis, ameaças nucleares e outros métodos de intimidação que nos fazem questionar se os nossos líderes efetivamente continuam a brincar no recreio da escola, pisando-nos como formigas.

Desde os ataques dos EUA e de Israel ao Irão, as tensões verificadas na região aumentaram. Esta agressão desencadeou contra-ataques iranianos e um aumento do preço do petróleo, afetando muitas famílias. A justificação desta inflação assenta sobre a necessidade de atravessar o estreito de Ormuz, ou de contornar risco através da adoção de outras rotas marítimas, representando um aumento de custos logísticos e atraso nas cadeias de abastecimento, evidenciando pressões inflacionistas e o carácter macroeconómico deste problema.

De uma perspetiva perfeitamente pessoal, posso dizer com convicção que o tempo da "proxy war" já passou e que nos encontramos já num conflito. Os historiadores futuros poderão dar-nos datas concretas para o início deste conflito, mas acredito que concordarão comigo: estamos num conflito de elevada escala, desta vez defrontado no Médio Oriente. Nós sofreremos os impactos económicos das ambições expansionistas de uns, mas é no Médio Oriente que continuarão a ser bombardeados e mortos em nome de interesses dos porcos, como nos dizia George Orwell.


© Jornal de Notícias