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O Norte como motor do crescimento

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17.03.2026

A Associação Círculo de Estudos do Centralismo realiza hoje, no Porto, a sua conferência anual e põe o dedo na ferida: Portugal continua refém de um modelo excessivamente centralizado. E o preço paga-se no território. No Interior e também no Norte.

Recentemente, a Associação escreveu aos órgãos de soberania para exigir mais clareza e mais escrutínio sobre um conjunto de megaprojetos concentrados, no mesmo período, na região de Lisboa: novo aeroporto, terceira travessia do Tejo, alta velocidade, acessibilidades e operações numa área equivalente a 55 vezes a da Expo 98.

O recado não é "não façam". É "expliquem". Expliquem ao país, sem tecnicalidades nem evasivas, porquê agora e porquê assim. Expliquem quanto custa, que riscos implica e que retorno traz para a mudança do modelo económico.

Porque, quando se concentram os principais investimentos na região que já mais beneficia da convergência com a Europa, o risco aumenta: má alocação de recursos, pressão sobre as finanças públicas, mais construção e menos economia transacionável. E, no fim, mais assimetria.Mas a questão maior é estratégica. O país não se desenvolve apenas com cimento, nem com investimento onde já há mais massa crítica. Portugal precisa de usar o Norte como alavanca de crescimento.

A sul, a agenda tende a ser infraestrutural. No Norte, a prioridade deve ser outra: criar condições para transformar conhecimento em riqueza - potenciar investigação e desenvolvimento, reforçar universidades, centros tecnológicos e transferência de tecnologia, ajudar a nascer e a escalar empresas de maior valor acrescentado, construir um ecossistema exigente para start-ups, atrair capital estrangeiro para setores exportadores, aumentar a produtividade e reter talento.

Sem esta aposta, a coesão é conversa. E o país fica desequilibrado por desenho: Lisboa puxa recursos, pessoas e decisões; o resto ajusta-se. Assim não há crescimento sustentável - há apenas concentração.


© Jornal de Notícias