Sem confiança, a avaliação perde legitimidade
O regime geral de acesso ao ensino superior em Portugal assenta no princípio de todos os estudantes realizarem provas nacionais, em simultâneo, de acordo com os mesmos critérios de avaliação, princípio este que vigora há 30 anos. Apesar da sua longevidade e fiabilidade que lhe tem sido atribuída ao longo destes anos, este modelo merece reflexão e debate.
A discussão sobre este modelo deve incidir nas vantagens, mas também questionar a equidade, a adequação da avaliação às exigências atuais, e a inclusão de novos mecanismos que simplifiquem os processos e que tornem a correção mais eficiente. Contudo, ainda não foi este ano que se iniciou esta discussão alargada.
Em vez de um debate informado sobre a adequação e melhoria deste sistema de avaliação, quer para a conclusão do ensino secundário, quer para o acesso ao ensino superior, a atenção pública concentrou-se na capacidade do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) para gerir a transição para a digitalização dos exames e na sua resposta aos problemas sucessivos reconhecidos pelo Ministério. As falhas na organização e preparação da digitalização das provas, os erros identificados na correção de diversos itens e as dúvidas quanto à fiabilidade dos resultados colocaram em causa aquilo que deveria ter sido preservado acima de tudo: a confiança dos estudantes e das famílias no sistema de avaliação nacional dos........
