O crime de Paulinho
No último clássico entre Flamengo e Palmeiras, Paulinho marcou. Correu. Fez gesto de silêncio para a torcida adversária no Maracanã. Celebrou um gol diante de quem havia perdido, que é exatamente o que um gol é.
Agora responde no STJD. Porque celebrou um gol contra o Flamengo de um jeito que alguém, em algum gabinete, considerou excessivo. O STJD existe para julgar violência em campo, doping, manipulação de resultados – atos que ameaçam a integridade do jogo. Agora julga comemoração.
Comemoração e agressão diferem por estrutura, não por volume. A comemoração endereça o resultado. A agressão endereça o adversário como pessoa. O gesto de silêncio de Paulinho pertence à primeira espécie: nenhum torcedor do Flamengo foi tocado, ameaçado ou humilhado como pessoa. Foi derrotado. A diferença é a fronteira que o STJD cruzou ao abrir o processo.
A comemoração afirma a vitória diante de quem perdeu: esse é o gesto, e o gesto dói porque foi feito para doer
A comemoração afirma a vitória diante de quem perdeu: esse é o gesto, e o gesto dói porque foi feito para doer
Hans Ulrich Gumbrecht, filósofo alemão, oferece uma teoria do esporte – não a única, mas a que melhor captura o que quem esteve numa arquibancada reconhece sem precisar de........
