O advogado não é o réu
O advogado não é o réu. Parece uma evidência. Mas em Portugal, em Fevereiro de 2026, precisa de ser dito em voz alta.
Esta semana, o tribunal que julga a Operação Marquês pediu à Ordem dos Advogados que nomeasse um defensor para José Sócrates. Mais uma vez. A Ordem cumpriu. Em três dias, indicou um advogado. Como sempre faz. Porque é essa a sua obrigação constitucional.
Oito advogados em quase doze anos. Quatro escolhidos pelo arguido, quatro nomeados pela Ordem. Renúncias, substituições, prazos apertados, um processo com trezentas mil folhas. O país olha para este espetáculo e oscila entre a indignação e a perplexidade. É compreensível.
Mas é nos momentos de maior confusão que importa separar o essencial do acessório. E o essencial é isto: o direito de defesa não é um capricho processual. É o alicerce de qualquer Estado de Direito digno desse nome. Sem........
