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Cinquenta anos depois do Golpe de Estado, Milei reatualiza os anos sombrios da ditadura

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24.03.2026

Por Sergio Ferrari - Meio século depois do último - e mais brutal - golpe militar da história, a democracia argentina enfrenta hoje outro tipo de ataque: o governo de Javier Milei. Apesar de ter surgido das urnas, o seu governo é portador de um projeto econômico, social e ideológico em sintonia com o que foi implementado pela ditadura nos anos 70. No entanto, embora muitas vezes ignoradas pelos grandes meios de comunicação, são quase cotidianas as expressões de resistência popular contra esse projeto antissocial.

Radiografia da paralisia produtiva

Mais de 22 mil empresas, fundamentalmente médias e pequenas, embora também muitas grandes, fecharam suas portas nos últimos dois anos. Com uma perda de 300 mil postos de trabalho: 200 mil no setor privado e o resto no setor público.

Uma leitura mais detalhada das estatísticas oficiais revela mais de 550 mil pessoas deslocadas de empregos formais. Dentre elas, quase 386 mil categorizadas como microempreendedores sociais, ou seja, trabalhadores independentes. O governo impôs novas normas excludentes que empurraram milhares e milhares de microempreendedores a renunciar a essa categoria, passando assim a engrossar o setor informal, cada vez mais amplo e desregulado (https://www.infobae.com/economia/2026/02/12/desde-el-inicio-del-gobierno-de-milei-se-perdieron-300000-empleos-asalariados-registrados/).

Preços europeus, salários de fome

Desde a assunção do novo governo foram dois anos muito complexos tanto para o setor assalariado quanto para os independentes, e o futuro não se vislumbra melhor. Em fevereiro, o governo conseguiu que o parlamento aprovasse a nova Lei do Trabalho, reforma trabalhista de corte neoliberal com semelhanças à legislação que prevaleceu durante a última ditadura entre 1976 e 1983. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) anunciou que questionará judicialmente essa Lei. Fundamentalmente, porque ela produzirá o enfraquecimento intencional da organização sindical e de direitos essenciais, como as negociações paritárias por setores e o direito de greve. Essa nova lei, que Milei apresenta como de “modernização trabalhista”, implica em perda de conquistas históricas, como os contratos de trabalho e o reconhecimento das horas extras, além do aumento das jornadas de trabalho, férias fracionadas a critério do patrão e a flexibilização das demissões.

Em termos macroeconômicos, trata-se de uma transferência multimilionária de recursos dos trabalhadores e aposentados para o setor empresarial. A partir da aplicação da Lei, por exemplo, os empresários (grandes, médios e pequenos) contribuirão mensalmente para um Fundo de Assistência Laboral (FAL) para subsidiar as demissões trabalhistas, que certamente se multiplicarão........

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