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Um desastre que se aproxima

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25.03.2026

O conflito aberto no Golfo Pérsico, com a chuva de mísseis e drones que estão se espalhando pelo Oriente Médio, vai entrar na quarta semana. E o avanço do petróleo para patamares superiores a US$ 160 por barril mostra que não estamos diante de um episódio de volatilidade. Agora, o mundo assiste à manifestação de uma mudança estrutural. É uma ruptura. Estamos diante da incapacidade do sistema energético global de absorver choques geopolíticos sem ruptura de preços, fluxos e previsibilidade.Nesta semana, a revista The Economist descreveu a escalada no Golfo sob o título “Operation Blind Fury”, apontando para a perda de controle sobre a dinâmica de segurança na região, numa crítica direta à administração de Donald Trump. De fato, o Estreito de Ormuz — por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial — agora opera sob risco permanente. E não se trata apenas de oferta. A crise é na entrega, condicionada a decisões políticas, mísseis e drones.

O mercado precificou isso em Dubai, com o barril cravando a assustadora marca de US$ 166. Para o Brasil, o problema não é o barril de óleo cru. É o diesel. Cerca de um quarto do diesel consumido no país é importado. Mais de 60% da carga nacional depende do transporte rodoviário. O fato de o país ter abandonado investimentos em ferrovias lá atrás agora nos deixa na seguinte encruzilhada: o diesel passou a ser o principal canal de transmissão de custos da economia brasileira.

Quando o diesel sobe, sobe o frete. Se o frete sobe, também há uma elevação do preço do alimento. E quando o quilo do arroz alcança patamares elevados, não se escapa da pressão política. Essa cadeia é direta, rápida e difícil de conter. Não há política tributária capaz de neutralizar de forma sustentada um choque de tal magnitude. O país não está diante apenas de um problema de preços, mas de arquitetura econômica.

E, não podemos esquecer, essa arquitetura foi deliberadamente alterada. A partir de 2016, sob os governos de Michel Temer e posteriormente de Jair Bolsonaro, o........

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