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Arquitetura hostil: barreiras contra os “indesejáveis”

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02.05.2026

Há violências que não gritam. Não quebram vidraças, não levantam bandeiras, não deixam manchas visíveis. Elas se infiltram no cotidiano com a elegância fria do aço escovado e da geometria calculada. A arquitetura hostil é uma dessas violências: silenciosa, funcional, perfeitamente integrada à paisagem - e profundamente reveladora de quem nos tornamos. Não se trata de erro de projeto. Não é descuido. É intenção.

Quem viaja pelas grandes metrópoles do mundo (Rio de Janeiro e São Paulo são exemplos de ponta) pode perceber mudanças crescentes no ambiente urbano. Bancos que desaparecem das ruas e logradouros públicos, para impedir que as pessoas permaneçam. Grandes vasos com plantas colocados nas calçadas, sobretudo sob as marquises de prédios, para impedir que os moradores de rua deitem e durmam. Sistemas de irrigação automáticos para não deixar que esses mesmos moradores acampem nos gramados das praças.

É a “arquitetura hostil”, um tipo de projeto urbano ou arquitetônico feito intencionalmente para controlar ou limitar comportamentos das pessoas em espaços públicos. Em vez de acolher, ela busca impedir certas ações - geralmente associadas a grupos considerados “indesejáveis”, como pessoas em situação de rua, jovens ou usuários que permanecem muito tempo no local.

Exemplos comuns: bancos com divisórias metálicas ou inclinações para........

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