André Mendonça na hora da verdade
Desde que chegou ao Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça convive com um rótulo difícil: o de “terrivelmente evangélico”, expressão usada pelo então presidente Jair Bolsonaro ao anunciá-lo para a vaga na Corte. A frase, que pretendia consolidar apoio político e ideológico, acabou criando uma sombra permanente sobre sua atuação. Afinal, um ministro indicado em meio a uma narrativa explicitamente política conseguiria demonstrar independência real diante dos interesses do grupo que o levou ao STF?
Passados alguns anos, Mendonça começa a construir uma trajetória menos previsível do que imaginavam tanto aliados quanto críticos. Em decisões recentes, o ministro tem demonstrado disposição para agir com autonomia, inclusive em casos que atingem personagens relevantes do sistema financeiro e político brasileiro.
A autorização da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, assim como medidas envolvendo seu pai, mostraram um magistrado disposto a respaldar investigações sensíveis. O mesmo ocorreu na operação de busca relacionada ao senador Ciro Nogueira, que foi chefe da Casa Civil de Bolsonaro e, nessa condição, colega de ministério de André Mendonça.
O episódio reforçou a percepção de que o ministro não pretende........
