Quem é do Rio entendeu o sequestro de Maduro: sobre coerção, mercados ilícitos e governos que não caem
Quem é do Rio de Janeiro entendeu rapidinho o sequestro de Maduro e o problema do controle do território da Venezuela. Afinal, o sequestro de traficantes ou supostos criminosos, feito por atores do próprio Estado que atuam e são vistos como estrangeiros em seu território de atuação, é uma prática bastante conhecida no dia a dia carioca.
Não se trata de cumprir a lei doméstica ou um tratado internacional. Agentes estatais da segurança sequestram supostos traficantes ou governantes criminais para forçar acordos, renovar contratos, reorganizar mercados, redistribuir territórios e ampliar campos de influência, ou seja, extorquir mercadorias políticas como método. O objetivo não é desmontar o mercado ilegal, nem o seu governo criminal, e menos ainda fazer valer os direitos da cidadania, mas reordenar o funcionamento do sistema de governança ou do esquema em vigor, preservando sua lógica e seus fluxos político-econômicos.
O sequestro funciona como instrumento de coerção negocial mais viável em termos logísticos e mais efetivo em termos táticos. O traficante ou governante criminal sequestrado é um portador de informações valiosas, de capital político, de controle territorial ou de capacidade de bloqueio. Sua retenção serve para destravar negociações que estavam travadas, ajustar relações entre grupos armados, redefinir pactos de proteção e garantir a continuidade de negócios ilícitos sob novos termos, sob a tutela de segmentos do Estado. A libertação, a prisão ou o........
