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Lula, Trump e a derrota melancólica dos Bolsonaro nos EUA

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A reunião de Lula com Donald Trump na Casa Branca deve ser lida para além da fotografia oficial, dos apertos de mão, das frases protocolares e da cordialidade calculada entre dois líderes que representam campos políticos opostos. O encontro, ocorrido em Washington, não produziu uma declaração conjunta espetacular nem resolveu, de uma só vez, os conflitos comerciais, tarifários e geopolíticos entre Brasil e Estados Unidos.  

Mas produziu algo politicamente decisivo: desmontou a operação simbólica construída pela família Bolsonaro desde que Eduardo Bolsonaro se instalou nos Estados Unidos. 

Lula não foi à Casa Branca pedir bênção a Trump. Foi mostrar ao Brasil que a relação com os Estados Unidos não pertence aos Bolsonaro. 

Essa é a chave do episódio. 

Desde que Eduardo Bolsonaro atravessou a fronteira política e passou a viver nos Estados Unidos, a extrema direita brasileira tentou transformar Washington em retaguarda do bolsonarismo. Eduardo não foi apenas morar fora. Foi instalar uma espécie de embaixada paralela da família Bolsonaro no coração do trumpismo. 

Ali, passou a cultivar relações com lideranças republicanas, setores da direita radical americana, figuras próximas a Steve Bannon, autoridades do entorno político de Donald Trump e operadores da guerra cultural internacional. 

Sua missão era dupla. 

A primeira era ficar fisicamente mais perto de Trump, de Marco Rubio, de Steve Bannon, da CPAC, dos parlamentares republicanos e do aparelho político que voltou ao poder nos Estados Unidos com a restauração trumpista. 

A segunda era permanecer fisicamente longe do Brasil — longe da Polícia Federal, longe do Supremo Tribunal Federal, longe do risco concreto de responder aqui, em território nacional, pelas consequências da ofensiva que ajudou a organizar contra as instituições brasileiras. 

Eduardo fugiu para atuar. Mas também fugiu para se proteger. 

A chancelaria clandestina dos Bolsonaro 

O que se montou nos Estados Unidos não foi turismo político. Foi uma chancelaria clandestina. 

Eduardo Bolsonaro passou a operar como se fosse representante internacional de uma família derrotada nas urnas, desmoralizada pelo 8 de janeiro, cercada por investigações e empenhada em transformar a política externa americana em instrumento de pressão contra o Brasil. 

A lógica era transparente: se a extrema direita brasileira já não conseguia controlar plenamente as instituições nacionais, tentaria constrangê-las a partir de fora. Se Jair Bolsonaro estava inelegível, condenado e politicamente interditado, seria preciso internacionalizar sua defesa.  

Se Alexandre de Moraes, o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal e o sistema eleitoral haviam se tornado obstáculos à restauração bolsonarista, então a saída seria acionar Washington. 

Não por acaso, Eduardo e seus aliados passaram a trabalhar para que autoridades brasileiras fossem enquadradas como violadoras de direitos, alvo de sanções e objeto de pressão diplomática americana.  

O Brasil deixaria de ser tratado como nação soberana para ser apresentado como território em crise, supostamente sequestrado por juízes, comunistas, censores e inimigos da liberdade. Era a velha gramática do golpe traduzida para o inglês. 

O que antes aparecia nos acampamentos diante dos quartéis — “SOS Forças Armadas” — passou a aparecer, com outra roupagem, nos........

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