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China, Taiwan e a armadilha do "520

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22.05.2026

No xadrez da política asiática, o 520 funciona como um número carregado de sinais. Em 20 de maio — mês 5, dia 20 — as autoridades taiwanesas inauguram um novo mandato ou apresentam balanços de gestão que costumam ser observados de Pequim, Washington e de boa parte da região Ásia-Pacífico. Neste ano, o segundo aniversário da administração de Lai Ching-te chegou atravessado por um clima bem mais áspero do que o habitual. A tensão voltou a escalar após a recente cúpula entre Xi Jinping e Donald Trump, na qual o presidente chinês lançou um alerta que ainda segue repercutindo: “A independência de Taiwan e a paz no Estreito são tão irreconciliáveis quanto fogo e água”.

A frase foi repetida nos últimos dias em grande parte das coletivas de imprensa, comunicados oficiais e declarações políticas do governo chinês. Do Ministério das Relações Exteriores, o porta-voz Guo Jiakun a citou literalmente ao responder ao discurso do 520 de Lai, a quem classificou como um “perturbador, criador de crises e sabotador da paz”.

“As forças separatistas da ‘independência de Taiwan’ constituem o maior destruidor do status quo no Estreito e a maior fonte de interrupção da paz e da estabilidade na região”, denunciou o diplomata.

No que poderia ser interpretado como as “Quatro verdades da China sobre Taiwan”, Guo explicou que “há apenas uma China no mundo, Taiwan é uma parte inalienável do território chinês, o Governo da República Popular da China é o único governo legal que representa toda a China e os dois lados do Estreito pertencem a uma só e mesma China”.

Essa ofensiva discursiva incluiu porta-vozes de outros organismos chineses, que — com certa veemência — afirmaram que Lai “mostra uma atitude agressiva por fora, mas fraca por dentro” e que seu discurso está cheio de “mentiras, hostilidade e confrontação”.

Durante a cúpula Xi-Trump, Taiwan voltou a ocupar o centro da discussão bilateral. O mandatário chinês exigiu de seu homólogo norte-americano que deixasse de enviar sinais ambíguos sobre a ilha e respeitasse estritamente o princípio de uma só China, a fórmula diplomática que sustenta a relação bilateral desde os anos 1970.

Trump, longe de endurecer o discurso contra Pequim, escolheu agir com um pragmatismo quase transacional. Dias depois, em entrevista à Fox........

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