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Soberania não é tutela: o “Corolário Trump” e a volta do intervencionismo estadunidense

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05.02.2026

Há palavras que viram disfarces. “Soberania” é uma delas. Pode ser invocada em nome da proteção dos povos contra a tirania – ou mobilizada para justificar que uma nação imponha sua vontade à de seus vizinhos. É esse movimento que o governo dos Estados Unidos tem feito ao ressuscitar a Doutrina Monroe e revesti-la com um novo enunciado: o chamado “Corolário Trump”. O que se apresenta como defesa da autonomia norte-americana no nosso hemisfério tem funcionado, na prática, como o rebaixamento da soberania alheia a um mero detalhe burocrático.

O presidente Trump não tem sido nada sutil. Em mensagem oficial por ocasião dos 202 anos da Doutrina Monroe, em dezembro do ano passado, a Casa Branca celebrou que, “revigorada” por esse corolário, a doutrina estaria “viva e bem” – e conectou essa visão a operações, pressões regionais e à reorganização da ordem hemisférica sob liderança estadunidense. A mesma lógica aparece em documentos estratégicos e análises recentes: a ideia central é impedir que “competidores não hemisféricos” obtenham influência, ativos estratégicos ou presença considerada ameaçadora na região – diretriz que reabre a porta para........

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