O povo tomou a campanha em suas mãos
A última semana foi extraordinária na história do campo político progressista e das esquerdas no Brasil. O povo – estudantes, professores, trabalhadores, mulheres, homens, uma diversidade de grupos sociais e políticos – tomou a campanha em suas mãos, passando por cima de comitês de campanha, de partidos e dos próprios líderes. Milhões de pessoas foram às ruas e inundaram as redes num movimento espontâneo poderoso que pode mudar os rumos da campanha.
É um movimento movido por raiva e entusiasmo, fúria e esperança, ferocidade e vontade de vencer. Quando grandes movimentos de massa espontâneos se põem em marcha, adquirem o poder de transformar profunda e rapidamente a realidade política e social, independentemente das estruturas de poder estabelecidas. As massas se movem impulsionadas por sentimentos coletivos latentes, como indignação, desejos de mudança, de justiça, frustração, raiva e ferocidade.
Enormes massas mobilizadas são capazes de alterar os equilíbrios de poder de determinadas conjunturas, assim como cenários eleitorais. Os resultados dessas mobilizações pegam as instituições, os sujeitos políticos, as análises racionalizadas e as pesquisas de surpresa.
As mobilizações que estão ocorrendo tiveram como estopim a derrota de Lula no primeiro turno, os grandes perigos que a vitória de Flávio Bolsonaro representa e a forma equivocada como a campanha foi conduzida. Esses três elementos frustrantes criaram um evento simbólico único, mobilizando impulsos, responsabilidades, vontades e paixões.
O feroz entusiasmo brotou de tudo isso. Estudantes nas universidades e pessoas em suas casas criaram cartazes artesanais, faixas, palavras de ordem, estandartes e bandeiras. As conexões em redes horizontais se estabeleceram, derrubando a comunicação piramidal. As........
