A verdade algorítmica, os criadores de verdades digitais e a nossa saúde mental
A verdade como a conhecemos acabou. A verdade factual, verdadeira, deixou de ser a oferta primeira nos meios que temos à mão para saber do mundo. A capacidade para a subverter e manipular a gosto é quasi total – fazer um deepfake está ao dispor de um nativo digital de 10 anos. Mas a tecnologia está apenas ao serviço do seu (ainda) Senhor. Fomos nós, inteligências naturais, que escolhemos dar à verdade a roupagem que nos convém. O facto já não é nuclear, a verdade é a versão de uma pessoa ou grupo, e os nossos sentidos, os verificadores de factos que utilizamos desde sempre, já não conseguem separar verdade efetiva de verdade fabricada. Fazer das coisas a verdade que quisermos polarizou o mundo e tornou-o muito, extremamente ruidoso. No meio desta gritaria toda, sinaliza-se o perigo para a democracia. Mas antes dela, não estará a nossa saúde mental em perigo? Se os sentidos não nos valem, como é que o nosso cérebro navega o quotidiano? A verdade, verdadeira e factual, morreu? Viva a verdade verdadeira! Não podemos fechar os olhos ao império da desinformação. Precisamos de media credíveis que transmitem factos e não efabulações algorítmicas ao serviço de alguma verdade – como a........
