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Opinião | A Inteligência Artificial não pensa por nós

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01.08.2026

Uma das muitas questões em torno da Inteligência Artificial tem sido saber quais as profissões que iria substituir. O debate tem-se centrado, na maioria das vezes, na tecnologia. Considero que podemos alargar esse questionamento e pensar no que a Inteligência Artificial nos obriga a voltar a fazer enquanto seres humanos.

Não estão a desvalorizar-se as preocupações legítimas de professores que veem alunos copiar respostas sem as questionar, profissionais que aceitam sugestões automáticas sem as verificar e leitores que trocam o esforço de compreender pela comodidade de uma síntese pronta. Negar esta tendência seria ingénuo, todavia, a forma como se escolhe usar estas ferramentas é que pode tornar-se decisiva.

Vários profissionais de diferentes áreas que usam regularmente a  Inteligência Artificial partilham aquela que tem sido a minha própria experiência. Uma parte significativa procura, sobretudo, ampliar conhecimentos e questionar melhor o que a tecnologia pode entregar-lhe. Na verdade, desde que utilizo Inteligência Artificial, leio e escrevo muito mais. Cada conversa abre novas referências, desperta perguntas inesperadas e obriga-me a regressar às obras originais para confirmar e aprofundar. A Inteligência Artificial não substituiu a leitura; tornou-a, assim, mais exigente.

Quanto mais facilmente encontramos informação, maior é a necessidade de distinguir fontes credíveis de opiniões, mesmo que sustentadas com argumentos e exemplos. A tecnologia aproxima-nos dos textos, continuando a ser a leitura a aproximar-nos das ideias. Este é um dos maiores........

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