Opinião | Tempestade Kristin: a fatura política da negligência
A tempestade Kristin não foi apenas mais um episódio de meteorologia extrema a somar-se a uma lista cada vez mais longa. Foi um momento político revelador, desses que expõem com clareza implacável a distância entre o Estado que se proclama e o Estado que se sente. Como tantas vezes acontece, não foram apenas a violência do vento, a chuva persistente ou as árvores derrubadas que ficaram gravadas na memória coletiva, mas antes uma sensação difusa — e profundamente política — de abandono, de descoordenação e de uma liderança mais concentrada em gerir perceções do que em reconhecer fragilidades.
As alterações climáticas deixaram há muito de ser um tema abstrato ou um dossiê técnico reservado a especialistas. São hoje um eixo central da governação e, por isso mesmo, cada fenómeno extremo funciona também como um teste à capacidade política do Estado. Não apenas à sua eficácia operacional, mas à sua empatia, à sua capacidade de comunicar com verdade e à forma como assume responsabilidades quando as coisas não correm como prometido. Kristin foi um desses testes — e os sinais que deixou estão longe de ser tranquilizadores.
Num contexto em que milhares de cidadãos enfrentaram cortes prolongados de eletricidade, estradas intransitáveis, respostas tardias e um sentimento generalizado de desorganização, a ausência da ministra da Administração Interna tornou-se ensurdecedora. Em política, sobretudo em tempos de crise, a invisibilidade nunca é neutra. A Proteção Civil pode ser uma estrutura técnica, mas responde politicamente.
Quando a tutela se apaga do espaço público no momento em que o País mais precisa de........
