A sabedoria das coisas habituais
Há duas ou três semanas, António Araújo, no seu obituário do Público, lamentava o desaparecimento do Major Oak, um carvalho de quase mil anos, sob o qual João Pequeno terá dormido a sesta. Era uma árvore antiga, quer dizer, uma acusação viva contra a nossa pressa. Cem anos após cem anos, resistiu a batalhas, tempestades e secas, essas coisas que parecem enormes quando acontecem. Mas não aguentou a pressão turística. Literalmente. Foram tantos que lhe endureceram a terra em redor que o chão deixou de respirar e a árvore morreu — por assim dizer, de estima. E morreu de pé, que é como as árvores costumam morrer. No seu lugar há agora qualquer coisa parecida com um monumento à nossa falta de jeito para amar, que é uma das definições possíveis para estultícia.
O turista ama. Mas ama mal. Abraça as coisas como a Elvira dos Tiny Toons abraçava os animaizinhos. E mata-as numa ternura sem distância, sem ar. Como se gostar fosse a forma mais delicada de arruinar, um polegar para........
