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A arte é política – sempre foi

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28.05.2026

Em 11 de Julho de 1964, Sophia de Mello Breyner disse “a obra de arte faz parte do real e é destino, realização, salvação e vida”. Não pode como tal viver separada da política. A ideia de que a arte deve estar fora da política é uma ideia que tem vindo a ser muito propagada nos últimos dois anos, mas é uma ideia perigosa, é uma ideia que contribui para o apagamento de parte da História. É defendida por muitos que defendem o comportamento de Israel na Palestina, na Cisjordânia, no Líbano. Os artistas que se atrevem a criticar Israel são criticados e julgados.

Também dentro do mundo dito artístico existe quem afirme que se devia manter a política fora da arte. Um caso recente foi o de Wim Wenders, um realizador pelo qual tenho o maior apreço, para mim um dos melhores realizadores de todos os tempos e que, no entanto, na Berlinale de 2026, defendeu que os cineastas se deviam manter fora das ideias políticas, e que a arte era o oposto da política. Esta posição foi muito criticada por muitos atores, inclusive Susan Sarandon, despedida pela sua agência por defender o direito de existência do povo palestiniano face ao genocídio a ocorrer na Palestina.

Ao longo da História, a arte foi sempre política, os artistas através das suas diversas formas de expressão travaram muitos combates políticos, na música, na pintura, no cinema, na literatura. Negá-lo é esquecer a História.

Um dos exemplos evidentes de como a arte é política é a Guernica de Pablo Picasso. Uma das obras de arte mais conhecidas, criada na sequência do bombardeamento de Guernica pela Luftwaffe nazi em apoio ao general Franco a 26 de abril de 1937. Uma obra antiguerra e antifascista. Posições políticas estas que não a tornam menos arte.

Outro exemplo ainda na pintura é a obra de 1964 de Norman Rockwell, The Problem We All Live With, baseada numa foto de Ruby Bridges, uma criança de 6 anos a ser escoltada por quatro US Marshalls para uma escola no Mississippi, no período do segregacionismo. Esta pintura, de Norman Rockwell, um dos grandes artistas americanos do século XX, apareceu na sequência de ele ter terminado o seu contrato com o Saturday Evening Post, porque o limitavam, limitavam o que ele podia e queria retratar – os problemas da sociedade americana dos anos 60, sendo o segregacionismo um dos seus maiores. O jornal censurava o artista porque ele com as suas obras de arte demonstrava claramente como era a sociedade americana daquele período, uma sociedade racista, segregacionista. A sua obra de arte, a sua obra política é de um caráter importantíssimo pois retrata as dificuldades das crianças jovens negras no acesso à educação, tendo de ser protegidas só para poderem entrar numa escola.

Mais recentemente, Banksy – um dos artistas mais conhecidos, artista de rua, ativista político, anti-imperialista, antiguerra e antifascista, admirado internacionalmente pelas suas obras totalmente políticas. Um dos exemplos mais claros é o Show Me the Monet, em que utiliza as obras de Monet e as usa para criticar a situação mundial. Numa delas o artista mostra os jardins japoneses de........

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