Entre a ‘certa’ democracia e o regresso de Bolsonaro. Opinião de José Carlos de Vasconcelos
1. Só há praticamente uma certeza sobre o resultado do 1º turno da eleição presidencial do Brasil do próximo domingo, 4 de outubro: é que nesse dia não será eleito o novo Presidente. O que acontecerá apenas a 25, na segunda volta, não com 14 candidatos, como agora na primeira, mas só com dois, os nesta (de longe) seguramente mais votados: Lula da Silva, o atual Presidente, e Flávio Bolsonaro, o filho do anterior Presidente, Jair. Que o “indigitou” como candidato a seu sucessor – dado ele próprio não poder ser candidato, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que também o condenou a 23 anos de cadeia, por golpe de Estado contra a democracia.
Qual será o mais votado no 1º turno, Lula ou Bolsonaro? Todas as sondagens dão um empate técnico. Com Lula, na maioria delas, um pouco à frente. Pouco? Pouquíssimo: esteve mais e tem caído. Inclusive prejudicado pelo último grande “caso” da política brasileira: o escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, preso desde março, acusado da maior fraude financeira da história do país, da ordem dos 50 bilhões de reais (1 euro cerca de 0,17 reais), e que está a pôr em causa, e a ferro e fogo, uma instituição que nos últimos tempos foi uma importante salvaguarda da defesa da legalidade democrático, o já referido STF.
Prejudicado, quando devia ser contrário… O “prejuízo” resulta de um dos juízes (“ministros”) do STF mais atingidos por aquele escândalo ser Alexandre Moraes, atingido sobretudo por haver um contrato milionário – de 131 milhões de reais – do escritório de advogados da sua mulher com o Master. Ora Moraes foi o relator do processo que condenou Bolsonaro, e era até, com Lula e o vice-presidente Alkmin, o terceiro alvo de assassínio do projeto........
